A venda da carteira da Prudential: O que isso significa para quem é cliente da marca?
No dia 08 de julho a Prudential reuniu cerca e 2 mil franqueados no Transamerica Expo Center em São Paulo para comunicar os números da operação e alinhar o ousado planejamento para dobrar o número de franqueados até 2030. O evento foi presidido pela CEO da marca, Patricia Freitas e o vice-presidente de Negócios Life Planner, Rodrigo Prosdocimi.
No dia 22 de julho, a marca colocou a venda de sua operação no Brasil por US$ 3 bilhões. O processo será conduzido pela banco Morgan Staley.
O que aconteceu em tão pouco tempo?
Provavelmente nada. Um movimento desse porte está sendo articulado há tempos e a decisão transcende os dirigentes regionais, vinda diretamente da matriz, Prudential Financial, que fica em Newark, Nova Jersey (EUA).
Você que é cliente da marca, antes de criar pânico, entenda os prós e contras desse processo:
O que provavelmente não mudará?
Em operações desse tipo, a tendência é que os contratos permaneçam em vigor, respeitando as condições originalmente contratadas. Ou seja, o simples fato de haver uma venda não significa perda de direitos ou cancelamentos das coberturas.
Essas manutenções de condições contratuais serão garantidas pelos orgãos fiscalizadores e normatizadores, tais como SUSEP e CNSP. Sendo assim, entenda:
Portanto, não há motivos para decisões precipitadas.
Embora os direitos contratuais sejam preservados, a experiência do cliente poderá mudar conforme a estratégia adotada pelo novo controlador.
A nova seguradora, adquirente da carteira, poderá adotar uma estratégia diferente, por exemplo:
- Foco maior em rentabilidade da carteira;
- Integração com outros produtos financeiros;
- Mudanças na distribuição;
- Alterações na forma de relacionamento com o cliente;
- Novas ferramentas digitais.
Além disso, cada seguradora possui uma política própria de aceitação de riscos. Uma nova Filosofia de subscrição (Underwriting) poderá te pegar de surpresa no momento em que precisar revisar suas coberturas.
Imagine um cliente que contratou um seguro há 12 anos. Hoje ele tem 58 anos, é hipertenso, já passou por um câncer e aumentou seu patrimônio:
A apólice antiga continua válida. Mas se ele desejar ampliar a cobertura daqui a alguns anos, a nova seguradora poderá utilizar critérios de aceitação completamente diferentes. Sendo assim, o melhor momento para revisar sua apólice, com base nas necessidades futuras, é antes que essa transação seja feita.
Como ficará o atendimento no futuro?
Clientes de alta renda valorizam relacionamento.
Questões que naturalmente surgem são:
- O corretor ou life planner permanecerá o mesmo ou sequer existirá no novo formato?
- Os canais de atendimento mudarão, robotizando o que hoje é humanizado?
- O processo de regulação de sinistros continuará igual?
- Haverá mudanças operacionais, incluindo reajustes e política de devolução das reservas matemáticas?
- Focarão em produtos mais simples, causando obsolescência das apólices ativas?
- Tornarão o produto mais simples para popularizar o acesso, abandonando a exclusividade do cliente de alta renda?
- Concentrarão vendas em canais bancários?
- Alterarão o perfil de distribuição?
A notícia apenas serve como um lembrete de que sua estratégia de proteção merece uma revisão periódica.
Existe hoje uma oferta muito mais ampla do que quando muitos contrataram suas apólices
Nos últimos anos, o mercado evoluiu significativamente. Hoje existem produtos com características que muitos clientes desconhecem, tais como:
- Flexibilidade na composição das coberturas;
- Benefícios em vida;
- Antecipação de indenizações em determinadas situações;
- Coberturas para doenças graves;
- Invalidez com critérios mais abrangentes;
- Soluções voltadas ao planejamento sucessório;
- Estruturas que podem oferecer melhor relação custo-benefício para determinados perfis.
O seu seguro de vida continua cumprindo o papel para o qual foi contratado?
- Por quanto tempo seu beneficiário sobrevive?
Se hoje sua família recebesse a indenização contratada, ela seria suficiente para a manutenção do padrão de vida da familia pelos próximos 5 ou 10 anos, bem como teria uma verba adicional para que seus filhos concluam os estudos? -
Cobriria custos sucessórios e tributários?
A liquidez necessária para tramitar um inventário pode superar 20% do valor do patrimônio, e à partir da declaração do óbito, todos os recursos ficam retidos para apuração dos beneficiários. Qualquer "saque" feito torna um herdeiro devedor do espólio. -
Quitaria dívidas relevantes?
Seus contratos de financiamentos de longo prazo estão amparados por apólices de seguro prestamista, que liquida o saldo devedor em caso de morte ou invalidez do titular ou esse será mais um problema para os herdeiros resolverem? É comum que sua apólice de seguro de vida esteja adequada para que os contratos sejam liquidados, dispensando assim a contratação dos prestamistas, porém ao longo dos anos essa realidade muda significativamente. -
Garantiria a continuidade da empresa ou da gestão patrimonial?
Na sua ausência o seu grupo societário não terá um comum acordo para o ingresso de todos os seus herdeiros no contrato social, independente da capacidade técnica de cada um. Essa disputa, por mais transprente que lhe pareça em vida, se torna uma ruptura familiar inesperada e, independente de dinheiro, quem mais perde nesse processo são os menores envolvidos, especialmente em empresas familiares. O rompimento transcende o negócio e o afastamento das pessoas que outrora formavam uma grande corrente se torna iminente.
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Ainda faz sentido manter apenas uma seguradora concentrando todo esse risco?
Uma reflexão
A venda da operação da Prudential não deve ser motivo para decisões precipitadas. As apólices permanecem válidas e os direitos dos segurados tendem a ser preservados. No entanto, mudanças relevantes no mercado costumam ser uma boa oportunidade para revisar se a estrutura de proteção continua alinhada aos objetivos da família, do patrimônio e do planejamento sucessório. Em muitos casos, a conclusão será manter exatamente o que já existe; em outros, poderá haver espaço para ajustes ou complementações. O mais importante é que essa decisão seja tomada com base em uma análise técnica e personalizada. Se antecipe ao risco, agendando com seu corretor uma revisão criteriosa da sua apólice.
E você, o que pensa sobre isso? Vamos conversar sobre sua apólice?

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